segunda-feira, 14 de março de 2011

PSICOFARMACOLOGIA

Apostila desenvolvida pela prof. Julice Gadani

PSICOFARMACOLOGIA - INTRODUÇÃO

O que é psicofarmacologia?
• É o estudo dos fármacos utilizados nas diversas patologias psíquicas, seu mecanismo de ação no SNC e comportamentos esperados dos indivíduos que os utilizam.

Histórico:
• Sabe-se que o uso de produtos vegetais, animais e minerais é milenar.
• Hoje, muitas dessas substâncias são denominadas psicoativas, psicotrópicas ou psicofármacos e têm ação no SNC.
• Na década de 50, surge a psicofarmacologia com a descoberta de um antipsicótico (clorpromazina) e daí pra frente surgiram os ansiolíticos, antidepressivos, estabilizadores de humor, hipnóticos, estimulantes e outros.
• Favoreceu muito os pacientes com algum transtorno mental, que antes necessitavam de um isolamento social ou internações hospitalares e hoje fazem uso desses fármacos em seus lares, com acompanhamento ambulatorial de seus médicos.

Qual a relação do Psicólogo com a psicofarmacologia?
• Os Psicólogos não são legalmente autorizados a prescreverem medicamentos;
• Psicólogos têm seus problemas perante os fármacos, devido às técnicas psicoterapêuticas que os possibilitam tratar pacientes psíquicos;
• Em consequência disto,os psicólogos se ocupam com problemas que interferem nos campos de trabalho da psiquiatria;
• Portanto, aumentou muito o contato entre psicólogos e médicos, buscando diversos métodos de trabalho que podem ser relacionados e eventualmente integrados entre si.
• Daí a importância do psicólogo em conhecer a psicofarmacologia, seu mecanismo de ação e eventuais comportamentos desencadeados em pacientes que utilizam determinados fármacos;
• Sempre visando grandes progressos para o paciente, já que este terá um tratamento coeso entre os profissionais.

A importância da equipe multidisciplinar:
• Diversas categorias profissionais, como médicos, dentistas, veterinários, podem eventualmente prescrever os psicofármacos, mas dentre essas várias especialidades, os Psiquiatras é quem devem fazê-lo com maior propriedade;
• Para que o paciente tenha uma boa evolução, todos os profissionais envolvidos, devem ter conhecimento do tratamento, trocar informações e planejar condutas para o paciente.
• É fato que alguns profissionais que trabalham em equipe, tem um contato maior com o paciente e familiares do que o próprio médico, sendo solicitados frequentemente a reconhecer e levar em conta na sua atividade profissional, o efeito benéfico ou não dos medicamentos no tratamento.
• Quando estes profissionais têm um conhecimento maior em psicofarmacologia, um relacionamento mais enriquecedor com a equipe é possível e os benefícios terapêuticos atingidos são maiores.
• Este contato destes profissionais é particularmente facilitado com um dos elementos da equipe, o psiquiatra.
• É importante ressaltar, que um grande número de pessoas, utilizam psicotrópicos de forma indiscriminada, não levando em conta os horários e dosagens adequadas, nem tendo conhecimento do real efeito do medicamento, daí entra mais uma importante participação dos profissionais em orientar o paciente a conduta correta.


ANATOMIA E FISIOLOGIA DO SNC

Introdução
• O Sistema Nervoso controla e coordena as funções de todos os sistemas do organismo;
• Existem funções no SN que dependem ou não da nossa vontade (voluntário ou involuntário);

Divisão do Sistema Nervoso
• Sistema Nervoso Central: porção de recepção de estímulos de comando e desencadeadora de respostas. Está constituído por estruturas que se localizam no crânio e na coluna vertebral, são o encéfalo e a medula.
• Sistema Nervoso Periférico: está constituído pelas vias que conduzem os estímulos ao SNC ou que levam até os órgãos efetuadores. São os nervos espinhais, gânglios e terminações nervosas.

Meninges
• São lâminas de tecido conjuntivo que envolvem e protegem o SNC;
• De fora para dentro: duramáter, aracnóide e piamáter;
• Entre a duramáter e aracnóide, existe um espaço chamado subdural,
• Entre a aracnóide e a piamáter, existe um espaço chamado subaracnóide, onde circula o líquor.

Líquor (líquido céfalo-raquidiano)

• Líquido de composição química pobre em proteínas;
• Circula no espaço subaracnóide e ventrículos encefálicos (onde é produzido);
• Tem como principal função, proteger o SNC, amortecendo choques.

Lobos do Cérebro
• Lobo Frontal;
• Lobo Parietal;
• Lobo Occipital;
• Lobo Temporal.

Distribuição das Substâncias Branca e Cinzenta no SNC
• Substância Branca: constituídas de fibras mielínicas;
• Substância Cinzenta: constituídas de corpos de neurônios;
• Na medula, a subst. Cinzenta encontra-se no centro e a Branca na periferia;
• No cérebro e cerebelo, a Subst. Cinzenta encontra-se na periferia e a Branca no centro;
• No Tronco Encefálico, encontra-se os núcleos dos nervos cranianos que são acúmulos de corpos neuronais, portanto, subst. Cinzenta.

Sistema Nervoso Periférico
• Nervos;
• Terminações nervosas;
• Gânglios.

Sistema Nervoso Autônomo
• Do ponto de vista funcional, o Sistema Nervoso pode ser dividido em: Sistema Nervoso Somático e Sistema Nervoso Visceral;
• O SN Somático é voluntário (músculos);
• O SN Visceral é involuntário (vísceras, m. liso, m. cardíaco e glândulas);
• SN Autônomo é apenas a porção eferente do SN Visceral.

TECIDO NERVOSO:

O tecido nervoso do SNC e SNP, contém dois tipos de células:
• Neurônios: conduzem os sinais pelo sistema nervoso (existem cerca de 100 milhões dessas células em todo o SNC)
• Células de suporte ou de isolamento: evitam que os sinais sejam dispersados entre os neurônios e suas estruturas intercelulares. Neuróglia no SNC e célula de Schuwann no SNP.

NEURÔNIOS
• Nosso corpo é formado de bilhões de células.
• Células que fazem parte do sistema nervoso são chamado de neurônios e são especializadas em transmitir "mensagens" através de um processo que mistura a transmissão elétrica e química.
• O cérebro humano tem aproximadamente 100 bilhões de neurônios.
• Os neurônios existem em diferentes formas e tamanhos.
• Alguns dos menores tem corpos celulares com apenas 4 microns (milionésimos de metro), enquanto que alguns neurônios maiores tem corpos celulares com mais de 100 microns.

Os Neurônios são semelhantes à outras células de várias formas:

• São envoltos por uma membrana plasmática,
• Tem núcleo que contém genes ,
• Tem citoplasma, mitocôndrias e outras organelas,
• Tem processos de produção de energia e síntese de proteína.
Porém são diferentes em outros aspectos como:
• Tem extensões especializadas chamadas de dendritos e axônios. Os dendritos são responsáveis pela recepção de informações e os axônios pela sua transmissão.
• Os neurônios se comunicam através de processos eletro-químicos.
• Possuem estruturas específicas (por exemplo, sinapses) e substâncias químicas também específicas (como por exemplo os neurotranmissores).

Axônio
Leva informação do corpo celular;
• Superfície lisa
• Normalmente apenas 1 por célula
• Sem ribossomos
• Pode ser recobertos com mielina
• Ramifica longe do corpo celular

Dendritos
• Traz informação para o corpo celular
• Superfície irregular (espinhas dendríticas)
• Muitos dendritos por célula
• Tem ribossomos
• Sem recobrimento de mielina
• Ramificam perto do corpo celular

Células da Neuróglia
• Astrócitos;
• Oligodendrócitos;
• Micróglia;
• Células ependimárias.

SINAPSES

• Sinapse é um tipo de junção especializada em que um terminal axonal faz contato com outro neurônio.
As sinapses podem ser elétricas ou químicas (maioria).

Tipos de Sinapses

Sinapses elétricas
• As sinapses elétricas, mais simples e evolutivamente antigas, permitem a transferência direta da corrente iônica de uma célula para outra.

Sinapses químicas
• Via de regra, a transmissão sináptica no sistema nervoso humano maduro é química. As membranas pré e pós-sinápticas são separadas por uma fenda com largura de 20 a 50 nm - a fenda sináptica. A passagem do impulso nervoso nessa região é feita, então, por substâncias químicas: os neuro-hormônios, também chamados mediadores químicos ou neurotransmissores, liberados na fenda sináptica.

NEUROTRANSMISSORES

Neurotransmissores são substâncias liberadas por um neurônio, considerado como neurônio pré-sinápticos, em resposta a um estímulo. Esses Neurotransmissores são jogados no espaço sináptico, e se unem a um neuroreceptor específico no neurônio seguinte, chamado então, neurônio pós-sináptico. Com freqüência em suas sínteses intervém substâncias precursoras e enzimas. São pequenos pedaços de proteína que carregam informações específicas. Normalmente, eles ficam armazenados em vesículas dentro da célula neuronal e são liberados quando há o estímulo nervoso.

O estímulo nervoso (potencial de ação), se dá pela despolarização da membrana que é um potencial elétrico causado por diferenças de concentração iônica, entre as duas faces da membrana celular (interna e externa).
A concentração de íon potássio (K), é mais elevada na face interna da membrana, enquanto que na face externa da membrana é maior a concentração de íon sódio (Na).

Os transmissores mais comuns, produzidos em quase todas as regiões do cérebro, são excitatórios ou inibitórios e exercem efeitos imediatos e breves: quando um neurônio recebe uma mensagem, este é ativado ou entra em estado de repouso.
A neurotransmissão química é de fundamental importância para o mecanismo de diversas patologias e para a ação de fármacos e é a responsável pela conversão de energia elétrica para energia química entre um neurônio e outro na sinapse.
A neurotransmissão, então, implica na necessidade de síntese do transmissor, de armazenamento, e de liberação. Os transmissores terão então que atuar em neuroreceptores específicos da membrana pós-sináptica e ser removidos rapidamente da fenda sináptica por metabolização, difusão ou recaptação

Os neurotransmissores se acoplam, assim, aos neuroreceptores. Cada neurotransmissor pode atuar sobre diversos subtipos de receptores de uma mesma categoria. Alem dos neuroreceptores pós-sinápticos para o neurotransmissor liberado, existem receptores pré-sinápticos que também são ativados pelo transmissor e inibem a secreção do mesmo. Este é um mecanismo de feedback descrito para diversos neurotransmissores.
Os neurotransmissores podem ser divididos em dois grupos distintos: um deles contêm os transmissores com pequenas moléculas de ação rápida, o outro é composto por um grande número de neuropeptídios, com dimensões moleculares maiores e com ação mais lenta. No caso citaremos os transmissores com pequenas moléculas de ação rápida que são os mais importantes. Eles são divididos da seguinte forma:
Classe I: Aminas
- Acetilcolina
- Noradrenalina (Norepinefrina)
- Adrenalina (Epinefrina)
- Dopamina
- Serotonina
- Histamina
Classe II: Aminoácidos
- Ácido Gama-aminobutírico (GABA)
- Glicina
- Glutamato
- Aspartato
Classe III: Peptídeos Hipofisários
- Corticotrofina
- Lipotrofina
- Ocitocina
- Vasopressina
- Prolactina
Os neurotransmissores de pequenas moléculas e ação rápida são os que causam a maioria das respostas agudas do sistema nervoso, como a transmissão de sinais sensoriais para o encéfalo e dos sinais motores para os músculos. Quase sem exceção esse tipo é sintetizado no citosol do terminal pré-sináptico e, em seguida, absorvido, por transporte ativo, pelas numerosas vesículas transmissoras existentes no terminal. Depois disso a cada vez que um potencial de ação invade o terminal pré-sináptico, poucas vesículas de cada vez liberam seu transmissor na fenda sináptica.
Características dos mais importantes:
Acetilcolina: é secretada pelos neurônios de muitas regiões encefálicas, mais especificamente pelas grandes células piramidais do córtex motor, por muitos dos neurônios dos gânglios da base, pelos neurônios motores que inervam os músculos esqueléticos, pelos neurônios pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo, pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático e por alguns pós-ganglionares do sistema nervoso simpático.
Na maioria das situações, a acetilcolina exerce efeito excitatório, contudo, sabe-se que exerce efeitos inibitórios em algumas terminações nervosas parassimpáticas, periféricas, como, por exemplo, a inibição cardíaca pelos nervos vagos. A acetilcolina estimula a contração dos músculos, incluindo o coração e os músculos do estômago.
Todos os movimentos envolvem a acetilcolina. Ela é importante para a memória, aprendizagem e trabalho intelectual em geral.
Noradrenalina (Norepinefrina): é secretada por muitos neurônios cujos corpos celulares ficam situados no tronco cerebral e no hipotálamo. Especificamente, neurônios secretores de noradrenalina, na ponte, enviam fibras nervosas para áreas muito dispersas do encéfalo, onde participam do controle da atividade verbal e do humor da mente. Na maioria dessas áreas, ela provavelmente ativa receptores excitatórios, mas em algumas dessas áreas, só receptores inibitórios. A Noradrenalina também é secretada pela maior parte dos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático, onde excita alguns órgãos, mas inibe outros. Estimula os neurônios do cérebro e da alerta ao corpo em situações de perigo ou ameaça. Tem papel importante na aprendizagem e na memória.
Dopamina: é secretada por neurônios situados na substância cinzenta. A terminação desses neurônios fica principalmente na região dos núcleos da base. O efeito da dopamina é em geral de inibição. A dopamina está envolvida com o movimento, atenção, aprendizagem e sensações agradáveis ou de gratidão.
Glicina: é secretada, em sua maior parte, nas sinapses da medula espinhal. Provavelmente, só atua como transmissor inibitório.
Ácido gama-aminobutírico (GABA): é secretado por terminações nervosas na medula, no cerebelo, nos núcleos da base e no córtex. Acredita-se que só cause inibição. Transmite uma mensagem inibitória para outros neurônios, que auxilia no equilíbrio e no deslocamento de mensagens excitatórias. O GABA é regulador de dois ciclos: de dormir e acordar. Durante o dia o GABA transmite uma mensagem excitatória aos neurônios nessa área do cérebro, porém à noite o GABA transmite uma mensagem inibitória p/ esses mesmos neurônios.
Glutamato: É um tipo de neurotransmissor. Um aminoácido simples, e age como principal neurotransmissor excitatório no SNC. Ele desempenha um papel importante na transmissão rápida, cognição, memória, movimento e sensação. É provavelmente secretado por muitos terminais pré-sinápticos em diversas vias sensoriais, na maioria das vezes causa excitação.
Serotonina: é secretada por núcleos situados no tronco cerebral, que se projetam para muitas áreas encefálicas, especialmente as pontas dorsais da medula espinhal e para o hipotálamo. A serotonina atua como inibidora das vias de dor, na medula, e, também, é responsável pelo sono, pelos humores e pelos estados emocionais, incluindo a depressão.

NEURORRECEPTORES

Na sinapse há a passagem do estímulo entre o neurônio pré e pós sináptico. O fenômeno na sinapse é químico, ficando a atividade elétrica restrita ao interior dos neurônios. Os responsáveis por essa atividade química são, de um lado os neurotransmissores e, de outro, os neuroreceptores.
Trata-se da teoria da chave (neurotransmissor) e da fechadura (neuroreceptor). O neurotransmissor sai de um neurônio (pré-sináptico) e acopla-se no neuroreceptor de outro (pós-sináptico).

Com mais detalhes poderíamos dizer que o impulso elétrico num primeiro neurônio (pré-sináptico) leva à exocitose de um "pool" de elementos químicos específicos que irá estimular um segundo neurônio (pós-sináptica), e gerar um potencial elétrico.
A atividade elétrica intra-neuronal produz um potencial de ação na célula pré-sináptica que despolariza sua membrana plasmática. Assim, essa despolarização induz a abertura de canais de Ca++ que entra na célula (na terminação pré-sináptica). De alguma forma a entrada do Ca++ permite a condução das vesículas sinápticas cheias de neurotransmissores até a membrana pré-sináptica em seguida ocorre a fusão de tais vesículas com esta membrana e posterior liberação do neurotransmissor pela terminação pré-sináptica na fenda sináptica. Tais neurotransmissores combinam-se com neuroreceptores específicos na membrana plasmática do neurônio pós-sináptico aumentando desta forma, a condutância da membrana plasmática pós-sináptica a íons específicos como Na/K.
Isso acaba levando à alteração do potencial de membrana da célula pós-sináptica, gerando-se potenciais locais eletrotônicos que ao alcançarem o limiar geram um potencial de ação. Os neurotransmissores excedentes ou que já cumpriram seu papel são, em geral, rapidamente degradados ou recaptados.


TOXICOLOGIA


Histórico:
A palavra "Toxikon" tem origem grega e significa veneno das flechas (usado na caça na antiguidade). As pontas das flechas eram preparadas com material bacterialmente contaminado, por exemplo pedaços de cadáveres ou venenos vegetais, com o intuito de acelerar a morte dos animais. Como venenos vegetais serviam plantas que provocavam inflamações, que levavam o coração à paralisia ou paralisavam os músculos ou a respiração.

Definição:
É um ramo da ciência que estuda substâncias nocivas à saúde, suas ações, seus sintomas, seus efeitos e seus “contravenenos”.
De maneira grosseira, pode-se afirmar que todas as substâncias da natureza podem atuar como tóxicos, porém nem todas devem ser consideradas como tal.
Podemos deduzir que dependendo da quantidade e, desde que seja absorvida, qualquer substância poderá ser considerada “veneno”.
A Toxicologia estuda certas drogas que mesmo em pequeníssima quantidade, podem causar distúrbios orgânicos.
Toxicidade é a capacidade inerente a uma substância de produzir efeitos sobre o organismo, com o risco ou perigo que uma substância oferece.
Na questão de determinar a toxicidade de um determinado material, é normalmente importante saber determinar a quantidade ou concentração desse material. Algumas substâncias têm em pequenas quantidades um efeito positivo sobre o corpo e tornam-se, no entanto, perigiosas quando em grandes concentrações.

Ação dos Tóxicos:
Ao agirem no organismo humano, os tóxicos podem desenvolver duas classes de ação: Ação Local e Ação Geral.
• Ação Local: É aquela desenvolvida pelo contato com o tóxico. É uma ação química brutal que altera ou destrói a vitalidade protoplasmática, ocorrendo uma destruição ou desorganização dos tecidos. Ex: Álcalis (soda cáustica) e ácidos (sulfúrico, nítrico e clorídrico);
• Ação Geral: Desenvolve-se através de seis etapas principais: penetração, absorção, distribuição, fixação, transformação, eliminação.
1. Penetração: que vem a ser o ingresso de um tóxico no organismo através das vias de penetração;
2. Absorção: seria a passagem das drogas do meio externo para o meio interno e deste para a intimidade dos tecidos, através de membranas plasmáticas. As principais vias de absorção são as vias cutâneas, digestivas, respiratórias, subcutânea, conjuntival, rinofarìngea, urogenital, via serosa (por tempo prolongado de medicamento), via dental e via parenteral (com finalidade de pesquisa);
3. Distribuição: através da corrente sanguínea, o tóxico se estende pelos tecidos, fixando-se em certos órgãos de sua eleição, seguindo seu coeficiente de afinidade;
4. Fixação: a fixação propriamente dita, pode se fazer por combinação química com as substâncias celulares ou por simples adesão do tóxico. Ex: os barbitúricos (analgésicos) são bastante solúveis nos lipóides das células nervosas (afinidade eletiva), desenvolvendo assim sua ação hipnótica;
5. Transformação: uma vez instalada no organismo, essa substância terá que ser eliminada que naturalmente, quer metabolizada (biotransformada) por enzimas;
6. Eliminação: é o lançamento do produto tóxico para fora do organismo, pelas vias de eliminação (rins, pulmões, tubo digestivo, pele, glândulas salivares e mamárias).

Mecanismo de Ação:
Na realidade AÇÃO é conseqüência inicial da combinação agente químico-célula e o resultado desta combinação (através de uma série complexa de processos), seria o EFEITO.
Quando há manifestação orgânica, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas revelando um estado patológico, ocasionado pela absorção de um agente químico nocivo e danoso, temos o que chamamos de INTOXICAÇÃO.
SINERGISMO: é quando há um aumento da toxicidade acima daquela comumente expressada, devido a interação entre agentes tóxicos, absorção simultânea de substâncias ou exposições sucessivas.
ANTAGONISMO: quando duas ou mais substâncias no organismo produzem efeitos fisiológicos contrários, ou seja, expressão oposta a toxicidade. Resulta na completa ou parcial eliminação dos efeitos nocivos.
TOLERÂNCIA CRUZADA: é a tolerância que ocorre com o uso simultâneo de produtos farmalogicamente relacionados em particular os que atuam no mesmo sitio receptor.
Exemplo: resistência do alcoólatra a anestésicos.
Para muitos alcoólatras os anestésicos não fazem efeito.
TAQUIFILAXIA: é a tolerância desenvolvida após poucas doses absorvidas do produto, por depleção do mediador disponível.

Etiologia das Intoxicações:
• Homicida (tóxico dado à outro);
• Suicida (tóxico consumido voluntariamente);
• Acidental (alimentar, medicamentoso, profissional, ambiental, etc.);
• Genética (transmissão por heranças, ex: falta de enzimas);
• Sociais ( toxicomanias);
• Congênitas (adquiridas no organismo da mãe, ex: mãe viciada em heroína, morfina, etc.)

Efeitos:
Intoxicação crônica: resultam da ação lenta e progressiva de um agente ou produto químico. Mais freqüentes em ambientes profissionais.
Intoxicação aguda: são as produzidas por introdução violenta de um agente químico no organismo, dando o aparecimento rápido de efeitos nocivos ou letais.

Diagnóstico:
Só se confirma um diagnóstico de intoxicação, quando amostras de sangue, urina, vômito, etc, forem levados a um laboratório de toxicologia para exames de pronto diagnósticos.

Sintomas e efeitos:
• Marcha titubeante;
• Faces cianóticas e congestas;
• Sudorese;
• Cianose periférica;
• Eritema de membros;
• Erupções purulentas na pele;
• Vertigens, náuseas, vômitos;
• Quadro de excitação, seguido de depressão e desorientação;
• Sonolências, convulsões e coma;
• Alergias, urticárias, dermatites;
• Bradipnéia, apnéia ou taquipnéia;
• Uremia, leucocitose, albuminúria;
• Anemia aplástica na medula;
• Óbito.

MEDICAMENTOS PSICOTRÓPICOS

Conceito:
• Psicotrópicos são substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que são capazes de modificar de vários modos a atividade mental, excitando, deprimindo ou provocando uma ação perturbadora no psiquismo.
• Recebem várias denominações: psicotrópicas, neurotrópicas, psicoativas, frenotrópicas, etc.

Classificação:
Há várias formas de classificar os psicotrópicos. Segundo Delay e Deniker, as drogas são classificadas de acordo com a capacidade de deprimir (psicolépticas), excitar (psicoanalépticas), ou desviar a atividade mental (psicodislépticas).
• Psicolépticos: neurolépticos, hipnóticos, tranquilizantes;
• Psicoanalépticos: estimulantes da vigília, estimulantes do humor;
• Psicodislépticos: agentes alucinógenos ou despersonalizantes.

Classificação segundo a OMS:
• Neurolépticos:
a) Fenotiazínico (ex: Amplictil);
b) Tioxanteno (ex: Navane);
c) Butirofenona (ex: Haldol);
d) Difenilpiperidina (ex: Orap);
e) Derivados da Reserpina (ex: Serpasol).

• Sedativos Ansiolíticos:
a) Propanodióis (ex: Meprobamato);
b) Benzodiazepínicos (ex: Diazepan);
c) Barbitúricos (ex: Fenobarbital);

• Antidepressivos:
a) Inibidores da Monoamino-oxidase;
b) Inibidores da Recaptação das Monoaminas.

• Psico-estimulantes:
a) Anfetaminas;
b) Cafeínas.

• Psico-dislépticos:
a) LSD;
b) Mescalina;
c) Psilocibina;
d) Dimetiltriptofano;
e) Cannabis.

Classificação Adotada:
Essa classificação está relacionada às drogas que não se encaixaram nas demais classificações: Para-psicotrópico:
a) Anti-epilépticos;
b) Antiparkinsonianos;
c) Anti-alcoólicos;
d) Lítio.

Características dos Grupos:
• Psicolépticos: Reduzem a vigília, diminuem a capacidade cognitiva e enfraquecem as tensões emocionais e a ansiedade. Agem, portanto, deprimindo globalmente as funções sensitivas e motoras (antipsicóticos, hipnóticos e ansiolíticos.
• Psicoanalépticos: Reduzem a depressão, elevam o ânimo, ativam a vigília, melhoram os processos cognitivos (antidepressivos e psico-estimulantes).
• Psicodislépticos: drogas que produzem fenômenos psicopatológicos nas esferas da sensopercepção, do pensamento e do comportamento motor, não revelando interesse terapêutico (euforizantes, desinibidores, alucinógenos e despersonalizantes).
• Para-psicotrópicos: anti-epilépticos e antiparkinsoniano, visam controlar sintomas provenientes de disfunções neuro-anatômicas e neuro-fisiológicas.

Lítio, não considerado um psicotrópico verdadeiro, paradoxalmente é o único preventivo real em Psiquiatria, agindo como normalizador.
Anti-alcoólicos: sem atividade comprovada a nível de SNC, exercem efeitos indiretos, mediante condicionamento aversivos a etílicos.


ANTIPSICÓTICOS

• São substâncias químicas, em geral sintéticas, capazes de atuar seletivamente sobre as células nervosas que regulam os processos químicos no homem.
• Agem em todo o SNC: núcleos talâmicos, hipotálamo, vias aferentes sensitivas, estruturas límbicas e sistema motor.

Mecanismo de Ação:
• Inúmeras pesquisas têm demonstrado ser uma interferência nos sistemas dopaminérgicos cerebrais, a mais convincente explicação sobre as atividades terapêuticas dos antipsicóticos.
• O mecanismo se estabelece por bloqueio do receptor pós-sináptico, tornando-o incapaz de ser estimulado pela dopamina.
• Em primeira instância, o organismo reage aumentando a produção e liberação do neurotransmissor, na tentativa de vencer o bloqueio.
• Com esse aumento, fica a dopamina mais sujeita à ação das enzimas destruidoras, comprovando-se pela maior concentração do seu metabólito (ácido homovanílico), detectado em laboratório.
• RESUMINDO: bloqueio dos receptores sinápticos para dopamina, noradrenalina e serotonina.

Indicação:
• Tranquilização de pacientes com patologia mental em que há predomínio de agitação psicomotora, agressividade, exaltação do humor, etc.
• Redução ou eliminação das vivências psicóticas (alucinações e delírios).
• Controle dos distúrbios compulsivos e da conduta.
• Ansiedade transtornos graves do pensamento.

Efeitos Colaterais:
• Sem exceção, todo fármaco produz efeitos colaterais de variável importância clínica.
• No caso dos antipsicóticos, instala-se comumente a “síndrome neuroléptico brando”, com astenia (diminuição da força), dificuldade na concentração, hipomotricidade, sialosquiese (aumento da secreção salivar), disfagia (dificuldade na deglutição), inquietude, etc.



Contra-indicações:
• Parkinsonismo: sequelas de processos cerebrais importantes;
• Infecções sistêmicas graves;
• Choque ou hipotensão severa, hipertensão arterial significativa, glaucoma;
• Cárdio, hepato e nefropatias graves;
• Quadros depressivos;
• Passado convulsivo ou apnéia prolongada em história pregressa;
• Processos alérgicos, principalmente cutâneos e pulmonares;
• Depressão grave do SNC (intoxicação, pré-coma, coma);
• Intoxicação aguda por narcóticos;
• Úlceras gástricas e gastrite agudas, principalmente as hemorrágicas.

Impregnação (Toxicidade)
O acúmulo destas drogas no núcleo da base e no hipotálamo, produz uma síndrome extrapiramidal complexa, caracterizada por:
a) Alterações do psiquismo (redução da iniciativa, aumento do tempo de respostas aos estímulos perceptivos).
b) Alterações da motricidade (hipocinesia global, incoordenação motora, tremores de extremidade).
Alterações neurovegetativas (hipertermia, amenorréia na mulher, retardamento da ejaculação no homem, inversão no ritmo sono-vigília).

Exemplos comercializados: Amplictil, Neozine, Neuleptil, Melleril, Piportil, Anatensol, Stelazine, Haldol, Triperidol, Orap, Semap, Navane, Serpasol, Equilid, Dogmatil, Modulan, Tiapridal...


HIPNÓTICOS

• Considera-se hipnótica toda substância, natural ou sintética, capaz de induzir sono próximo ao fisiológico, ou promovê-lo criando ciclos artificiais.
• São conhecidos como soníferos, sedativos, indutores do sono, noolépticos.

A insônia:
• A caracterização da insônia inclui uma redução de horas de sono como queixa diária, associada a sintomas funcionais de intensidade variável.
• Comumente, os pacientes referem ansiedade, taquicardia, sudorese e outras sensações, exacerbadas durante o dia e acrescidas de irritabilidade, sonolência, dificuldade no raciocínio, distúrbios da memória e queda do potencial físico.

Drogas Hipnóticas:
• Sedativos vegetais: maracujá, mulungu, espinheiro alvar, etc. Em alguns produtos, combinam-se a barbitúricos, visando potencializar o efeito hipnótico. Outros associam-se a sal inorgânico de propriedade sedativa (brometo). Ex: maracugina, passiflorine, sedanus.
Todos sob forma de solução líquida.
• Anti-histamínico: O efeito colateral mais frequente é a sedação. São antagonistas da histamina, acetilcolina, adrenalina e plasmacinina, demonstrando ação hipoglicemiante leve, que estimula indiretamente o apetite. Ex: Agasten, Benadryl, Fenergan, Muricalm, Sonin.
• Barbitúricos: Agem deprimindo globalmente as funções do SNC pelo impacto neurofisiológico difuso, abrangendo hipotálamo, sistema límbico e córtex.
Este medicamento apresenta muitos efeitos colaterais, sobre tudo, quando em longo tratamento. Dispondo-se hoje de medicamentos igualmente potentes e destituídos desses inconvenientes, não convém utilizar barbitúricos com finalidade hipnótica, exceto em casos muito particulares. Ex: Gardenal, Alepsal, Fenobarbital.
• Benzodiazepínicos: Apresenta 4 efeitos gerais (ansiolítico, sedativo/hipnótico, mio-relaxante, anti-convulsivante).
Bioquimicamente, atuam aumentando a afinidade dos receptores do GABA nos sistemas gabaenérgicos, e possivelmente, são agonistas da glicina. Ex: nitrazepam, flurazepam, flunitrazepam, triazolam, estazolam e midazolam.

Contra-indicações: miastenia grave, glaucoma, distúrbios respiratórios importantes, gravidez, amamentação, uso do álcool.

Toxicidade: se mostra baixa em todos os derivados. A duração do sono varia em torno de 8 horas.


ANSIOLÍTICOS

• Drogas em geral sintéticas, atuam basicamente no alívio ou eliminação da ansiedade, e em consequência , da tensão muscular e emocional.
• São conhecidos como tranquilizantes, calmantes, psico-harmonizantes, psico-sedativos, estabilizadores emocionais.

Principais ansiolíticos:
• Benzodiazepínicos;
• Propanodiólicos;
• Beta-bloqueadores adrenérgicos;
• Hipnóticos;
• Timolépticos;
• Antipsicóticos.

Indicações:
• Distúrbios psíquicos em que predomine excitação/agitação;
• Associado a neurolépticos no tratamento de psicoses sintomáticas;
• Combinado a antidepressivo nos casos mais graves de depressão ansiosa;
• Quadros de abstinências;
• Integrante de fórmulas para sonoterapia;
• Anticonvulsivantes;

Contra-indicações:
• Miastenia;
• Glaucoma;
• 3 primeiros meses de gravidez;
• Lactação;
• Hepato e nefropatias graves.

Efeitos Colaterais:
• Além da sonolência, perda parcial da atenção, redução dos reflexos, sensação de cansaço.
• Podem ainda ser observados: dermatoses, obstipação intestinal, vertigens, tonturas e distúrbios renais.
• O uso prolongado determina aumento de peso e redução do desejo sexual, distúrbios da memória e da coordenação motora, bem como dependência.

Mecanismo de Ação:
• Os efeitos farmacológicos e terapêuticos dessas drogas, é consequência de uma ação seletiva sobre os mecanismos inibidores pós-sinápticos, em que o GABA é o neurotransmissor.
Intoxicação:
• O quadro tóxico é evidenciado por depressão do SNC, vertigens, fraquezas, tontura, sonolência, hipotonia muscular e coma superficial.
• A excreção das drogas e seus metabólitos se faz principalmente pela via urinária, fezes e vômitos.

Medicamentos comercializados:
• Diazepam (Valium, Dienpax);
• Oxazepam (Miorrelax, Adumbran);
• Medazepam (Diepin, Medazepol);
• Temazepam (Temazepax);
• Clorazepato (Tranxilene);
• Bromazepam (Lexotan);
• Lorazepam (Lorax, Vagofil);
• Cloxazolan (Olcadil).


ANTIDEPRESSIVOS

• São drogas sintéticas de efeito psicanaléptico prioritário sobre o humor e secundário, sobre a psicomotricidade, aliviando a depressão manifestada clinicamente por tristeza, apatia, ansiedade.
• Indicados em especial para as depressões endógenas.

Classificação:
• Antidepressivos Timolépticos (bloqueadores das monoaminas, estimulantes do humor):
a) tricíclicos: imipramina, clomipramina, amitriptilina, doxepina;
b) Tetracíclicos: maprotilina, mianserina;
c) Derivado da isoquinolina: nomifensina.
• Timeréticos (inibidores da M.A.O., estimulantes da psicomotricidade): tranilcipromina.
• Antipsicóticos desinibidores: levomepromazina, trifluorpeeridol, pipotiazina, penfluridol, sulpiride.
• Psico-estimulantes: anfetamínicos e outros (cafeína, dinitrila, etc).

Mecanismo de ação:
• Os timolépticos agem inibindo a recaptação de noradrenalina e serotonina livres, aos depósitos pré-sinápticos. Em consequência aumentam a excitabilidade das estruturas límbicas, responsáveis pelo humor, elevando-o.
• As depressões que envolvem baixa atividade noradrenérgica, respondem melhor à imipramina, nortriptilina e maprotilina.
• As depressões que envolvem baixa atividade serotoninérgica, respondem melhor à clomipramina e amitriptilina.

Intoxicação:
• Ocorre com doses próximas a 1g (geralmente letal com 2g), se caracteriza por um envenenamento: agitação, confusão mental, hipertermia,, taquicardia, midríase, insuficiência renal aguda, convulsões, fibrilação atrial, parada cardíaca.


PSICO-ESTIMULANTES

• São drogas que estimulam a psicomotricidade, a vigília e, secundariamente, o humor.
• A maioria deriva de um núcleo comum: a cadeia fenilalanina, cujo composto mais importante é a metilanfetamina.
• Atualmente são utilizados como anorexígenos ou moderadores de apetite nos obesos, sendo assim utilizados pelos endocrinologistas também.
• São considerados fármacos de dependência.
• Como psico-estimulantes naturais, existe a cafeína e o guaraná, embora com efeitos bem mais discretos.

Contra-indicações:
Glaucoma, gestação, afecções graves cardíacas, hepáticas e renais, agitação psicomotora, disritmia cerebral, epilepsia, depressão melancólica, ingestão concomitante de bebidas alcoólicas.

Efeitos Colaterais:
• Irritabilidade, inquietude, instabilidade emocional, insônia, anorexia, hipertensão arterial, taquicardia, fraqueza, tremores, sudorese, obstipação.
• Como efeitos positivos, suprime a sensação de cansaço, facilita o trabalho intelectual nas esferas perceptiva e associativa, auxilia a adequação da conduta infantil com disfunção cerebral mínima.

Drogas psico-estimulantes:
• Anfetamínicos: Fenfluramina, Fenproporex, Dietilpropiona.
• Mazindol: 2mg ou 1,5mg + 5mg de diazepan.
• Cafeína: 100mg ou Cafergot (100mg de cafeína + Tartarato de ergotamina 1mg).


PSICODISLÉPTICOS
• São substâncias que retêm a capacidade de promover disfunções psíquicas como efeito principal, mesmo em doses baixas, suficientes para intoxicar.
• Geralmente representados por princípios ativos naturais de origem vegetal.

Classificação:
• Euforizantes e desinibidores: opiáceos, cocaína, álcool, cannabis.
• Alucinógenos e despersonalizantes: mescalina, psilocibina, bufotenina, taraxeína, adrenolutina, lisergamida (LSD), fenciclidina.
• Efeito somático: midríase, sudorese, vasoconstrição, taquicardia, hipertensão arterial, etc.
• Efeito psíquico: na esfera do humor (euforia, ansiedade ou apatia), na esfera sensorial (ilusões coloridas, visões distorcidas de objetos reais, alucinações geométricas, alucinações auditivas e sinestésicas, perda da noção do tempo, alucinações de memória.


ANTI-PARAPSICOTRÓPICO

• Anti-epilépticos;

• Anti-parkinsoniano.




DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS

Conceito de Drogas:
Qualquer substância capaz de agir no centro de gratificação do cérebro, usada fora dos padrões médicos ou socioculturais, devido aos seus efeitos estimulantes, euforizantes e/ou tranquilizantes.

Condições de Exposição:
• Dose: quanto maior a dose, maior o efeito tóxico.
• Vias de introdução:
– oral - efeito em 1 h;
– mucosa – efeito em 5 min;
– intra-venosa – efeito em 30 seg;
– respiratória - “crack” - efeito intenso, 5 seg.

COMO SE CLASSIFICAM?
• Depressoras: Álcool , Heroína, Benzodiazepina;
• Estimulantes: Cocaína, Crack, Ecstasy;
• Perturbadoras: Haxixe, outros alucinógenos, com origem ou não na planta Cannabis sativa (maconha).
Todas causam dependência física ou psicológica

CAFEÍNA
• É o estimulante legal mais usado no mundo;
• É associada ao café e bebidas à base de cola;

EFEITOS: Produz verdadeira euforia; Aumenta a vivacidade; Aumenta a performance mental e motora.

NICOTINA
• Droga LEGAL e MORTAL;
• Uma gota de nicotina na pele de um coelho, causa a morte deste em 10 segundos.

EFEITO: Estimulante.

CONSEQUÊNCIAS: Náuseas; Dor de cabeça; Perda de apetite; Doenças pulmonares e digestivas; Câncer; Morte; Dependência psicológica e física.

ÁLCOOL
• As bebidas alcoólicas representam as drogas mais antigas;
• É obtido pela fermentação ou destilação de diversos vegetais.

EFEITOS:
Pequenas doses: euforia, perda de reflexos, perda da capacidade crítica, sensação de anestesia, sonolência, sedação.
Uso excessivo: náuseas, vômitos, tremores, suor abundante, dores de cabeça, tonturas, agressividade, diminuição da atenção,
concentração e reflexos.
Uso crônico: cirrose, atrofia cerebral, vários tipos de câncer.

CONSEQUÊNCIAS: falta de coordenação motora; diminuição sensitiva; rosto vermelho; sono e até uma espécie de coma; polineurite; anemia; úlceras cutâneas; doenças em todos os orgãos do corpo, em especial no: Estômago – gastrite, Fígado – cirrose, Coração, Cérebro, deficiência de vitaminas: B1, B2,B6,B12,CO.

ALUCINÓGENOS
1. COGUMELOS – Famosos no México onde desde a Antiguidade eram utilizados.
2. JUREMA – O vinho de Jurema era usado por índios e caboclos no Brasil. A Jurema sintetiza uma substância alucinógena – a dimetiltriptamina ou DMT.
3. MESCAL OU PEYOT – Cacto que produz uma substância alucinógena que é a mescalina.

EFEITOS :alucinações, delírios, dilatação das pupilas, suor excessivo, taquicardia, acessos de pânico.

CONSEQUÊNCIAS:O consumidor pode ser tomado por delírio persecutório de grandeza ou acessos de pânico.



LSD
• Foi descoberto por Albert Hoffman em 1938 que inadvertidamente engoliu o produto em vez de outro. Teve sensações estranhas e ensaiou a droga nele e em outros colegas.
• Nos anos sessenta era uma substância de culto entre os estudantes, bandas musicais e Intelectuais.
• Nas esferas militares houve quem pensasse que se tratava de uma excelente “lavagem” ao cérebro de inimigo.

EFEITOS: Distorções no funcionamento do cérebro, alterando as funções específicas = alucinações; Pode trazer satisfação (Boa Viagem); Pode deixar a pessoa amedrontada (Má Viagem)
Delírios; Juízos falsos da realidade – pensar que faz coisas impossíveis como andar na água, voar, etc.; Pulsação acelerada;
Pupilas dilatadas; Suor excessivo; Excitação; Convulsões.

CONSEQUÊNCIAS: Flashback – se não consumir durante semanas ou meses, começa a sentir os mesmos efeitos de como se estivesse a consumir; Intoxicação física; Consequências psíquicas; Comportamento violento; Depressão.


MACONHA / HAXIXE
• A Maconha é o nome dado a uma planta chamada cientificamente Cannabis sativa;
• É conhecida há séculos;
• Oriunda da Ásia Central os seus primeiros registos históricos são de mais de 200 anos A .C., na China, Egito e Índia;
• Nos anos sessenta era a “DROGA DA MODA”, no auge da contestação hippie (com o LSD-25);
• O haxixe é uma substância ativa, extraída da Maconha;
• A Maconha tem um alto teor de alcatrão (substância cancerígena);
• O Haxixe é usado por utilizadores que já precisam de doses mais fortes.

EFEITOS: Excitação; Relaxamento; Euforia; Desorientação no tempo e espaço; Taquicardia; Dilatação na pupila; Olhos vermelhos; Boca roxa; Diminuição dos reflexos; Vontade de rir; Depois pode sentir: pânico, desespero,angústia, letargia.

CONSEQUÊNCIAS: Prejuízo da atenção; Prejuízo da memória – fatos recentes; Alucinações; Ansiedade; Pânico; Paranóia; Síndrome emotivacional (desânimo); Afeta vários órgãos do corpo; Provoca câncer, sobretudo nos pulmões; Diminuição da produção de testosterona, portanto capacidade reprodutiva menor; Reduz a capacidade de aprender e memorizar; Provoca bronquite; Perda de capacidade respiratória.

INALANTES E SOLVENTES
• Estão presentes em muitos produtos comerciais:
Voláteis: Éter; clorofórmio; benzina.
Solventes: Colas; tintas; vernizes; removedores; limpa chamas;
Esmaltes.
• Passaram a ser utilizados como droga nos E.U.A. por volta de 1960.
• Hoje consome-se mais em países do 3º Mundo.
• São utilizados por meninos de rua como forma de sanar a fome.

EFEITOS:
Excitação: Tonturas; Náuseas; Tosse; Espirros; Saliva excessiva.
Depressão leve: Confusão; Desorientação; Dificuldade na fala e visão; Perda de autocontrole; Início de alucinações.
Depressão profunda: Redução da consciência; Falta de coordenação motora; Lentidão de reflexos; Alucinações.
Depressão Tardia: Baixa da Pressão arterial; Convulsões, Coma ou Morte.

CONSEQUÊNCIAS: Deprime o Sistema Nervoso Central; Baixa a tensão arterial; Diminuição da respiração; Diminuição dos batimentos cardíacos; Parada cardíaca; Problemas renais; Uso prolongado – tentativas de suicídio; Destruição de neurônios; Apatia; Dificuldade de concentração; Déficit de memória; Lesões na medula, fígado, rins e nervos periféricos; Danos na molécula óssea.


ECSTASY
• Produto químico que se associa os efeitos das anfetaminas e do LSD;
• Primeiros efeitos -20 minutos depois de tomar - pode durar horas;
• Foi sintetizada pela Merck Alemã no início do século e foi usado como moderador de apetite;

CURIOSIDADE: é conhecido como pílula do amor porque aumenta a concentração de um neurotransmissor chamado SEROTONINA que é o responsável pelas comunicações entre os neurônios e que está ligada às sensações amorosas.

EFEITOS: Euforia; Bem estar; Age no cérebro aumentando a concentração de dopamina, que alivia momentaneamente as dores e aumenta a serotomia, que está ligada às sensações amorosas; Provoca alucinações.

CONSEQUÊNCIAS: Perda de apetite; náuseas; Câimbras; Contrações oculares; Espasmo no maxilar; Fadiga; Depressão; Dor de cabeça; Diminui a potência sexual no homem; Visão turva; Manchas roxas na pele; Movimentos descontrolados dos membros; Crises bulímicas; Insônias; Descontrole da tensão arterial; Febre alta; Desidratação; PODE PROVOCAR A MORTE; Associado a bebidas alcoólicas pode provocar um choque cardiorrespiratório.

COCAÍNA
• Pó branco extraído das folhas de um arbusto chamado coca;
• Há mais de 5000 anos que os Índios sul-americanos têm o hábito de mascar coca para diminuírem o cansaço e suprirem a fome;
• Era usada como remédio, há 150 anos, no tratamento das dores, sífilis, asma, tuberculose, etc.;
• A 1ª bebida tipo coca-cola, apareceu em 1863 e chamava-se Vin Mariani;
• A coca-cola começou a ser fabricada em 1885 e até 1903, continha pequenas quantidades de cocaína;
• Nos E.U.A. e Reino Unido, muitas pessoas ficaram dependentes de coca-cola e os fabricantes resolveram tirar a cocaína da bebida. Nos nossos dias a coca-cola NÃO TEM COCAÍNA.

EFEITOS: Excitação psíquica (sensação que é forte, poderoso, influente, importante ...); Depois, acha-se perseguido, espionado; Aumento da frequência cardíaca; Suor excessivo; Perda de apetite; Zumbido nos ouvidos; Diarréia; Aperto no peito; Exaustão; Insônia, Perda de desejo sexual; Sensação de estar doente.

CONSEQUÊNCIAS: Excitação psicomotora; Perda de autocrítica; Perda de agressividade; É vasoconstritora, daí: problemas arteriais – tromboses; Necrose dos tecidos do centro nasal e do palato; Devido à vasoconstrição local, às vezes o nariz e a boca formam uma só cavidade; Overdose, provoca convulsões e morte; Cegueira irreversível; Infecção: sanguínea, pulmonar, coronária.

NOTA BEM: outro perigo é a cocaína ser adulterada.
É comercializada a peso e então acrescentam-lhe produtos como:
• Soda cáustica
• Solução de bateria de carro
• Água sanitária
• Cimento
• Pó de vidro
• Hormônios que engordam o gado
• Pó de talco

CHEGA AO CONSUMIDOR APENAS COM 30% DE PUREZA


CRACK (Cocaína + Reagente Químico)
• É “fast – food” das drogas
• É 5 vezes mais potente que a cocaína
• Tem efeito instantâneo
• Desaparecimento rápido –10 minutos
• Tem elevado consumo

EFEITOS: Atinge rapidamente o cérebro provocando alterações Bioquímicas; Causa dependência rapidamente; São mais freqüentes as overdoses; Deixa forte vontade de usar vários dias seguidos.

CONSEQUÊNCIAS: Desestrutura a personalidade; Insônias; Agitação psicomotora; Agressividade; Emagrecimento; Perda de autocrítica e da moral; Dificuldade em estabelecer relações afetivas; Hiperatividade; Aumento da P.A; Coma; Convulsões; Derrame cerebral; Danos no aparelho respiratório; Tosse; Cansaço; Tremores; Paranóia; Lábios, língua e garganta queimados; Marginalidade; Prostituição; Comportamento anti-social.


HEROÍNA

• A heroína é uma variação da morfina, que por sua vez é uma variação do ópio, obtida da papoula (ópio).
• O ópio começou por ser usado (venda livre) no século XIX como “cura para tudo” – sobretudo para dores fortes.
• Tem que entrar na corrente sanguínea para ter efeito.
• A heroína no mercado negro encontra-se contaminada com impurezas.

EFEITOS: O consumidor sente-se na “maior”; Não causa mal- estar (indisposição); Sonolência; Fora da realidade; Pupilas contraídas; Primeiro – sensação de euforia e conforto, Depois- depressão profunda.

CONSEQUÊNCIAS: Surdez; Cegueira; Delírios; Inflamação das válvulas cardíacas; Coma; Morte; Necrose de tecidos e veias; O corpo deixa de produzir algumas substâncias vitais (como a endorfina); Produz outras em demasia (noradrenalina), que acelera os batimentos cardíacos e a respiração; O corpo perde capacidade de controlar a temperatura; Estômago e intestinos descontrolados, causando diarréia, vômitos e fortes dores abdominais.


TIPOS DE TRATAMENTO:
• Abordagem psicoterápica - rever a relação do porquê a droga passou a ser tão importante.
– Individual
– grupos (troca de vivências)
– familiar
• Uso de medicações
– Ansiolíticos, antidepressivos, antipsicóticos.
• Prevenção da recaída: controle.
• Informação: paciente pensa ter conhecimento.

FORMAS DE TRATAMENTO:
• Unidade básica de saúde;
• Hospital geral;
• Serviços ambulatoriais;
• Unidades especializadas;
• Clínicas especializadas;
• Comunidades terapêuticas.

TIPOS DE TERAPIAS: Farmacológica; cognitiva-comportamental; psicodinâmica; familiar; de casal; multifamiliar; ocupacional; grupos de ajuda mútua (AA, NA); grupos familiares; religião.
SONO


1. Evolução dos conhecimentos:
Considerado por muitos séculos um fenômeno passivo, sabemos hoje tratar-se de um mecanismo ativo, com meios próprios de indução e controle.
A cada 24 horas, o SNC inicia um processo de elevação do limiar perceptivo até um grau de “impermeabilidade” aos estímulos que em condições de vigília evocariam percepção, assim se mantendo por um período equivalente a 6 ou 8 horas.
Uma verdadeira triagem de percepções continua alerta, de tal forma que permanecemos dormindo se elas não nos dizem respeito (barulho de carro na rua, música no vizinho, etc.), mas que nos permite acordar quando a nós se referem (choro de criança, campainha, telefone, etc.).
A área total de sono em cada noite é variável, não só dependendo de certas circunstâncias ambientais, dos hábitos de vida, de fatores passageiros, mas também fisiológicas como naqueles em que o repouso adequado é conseguido com menos de 6 ou mais de 8 horas.

2. Neurofisiologia:
Após a descoberta de exames elétricos como ECG, EEG,EMG, para examinar dosagens de aminas cerebrais, descobriu-se que a vigília é o resultado de estímulos originados na porção mesencefálica de formação ascendente sobre o córtex, portanto, a estimulação elétrica dessa região produz despertar imediato, e hiper-excitação resulta em insônia.
Por outro lado, o sistema reticular específico do tálamo, é responsável pelo sono e de uma pequena área da formação reticular pôntica se originam os sonhos.
As catecolaminas são responsáveis pela fase REM e a serotonina desencadeia e faz a manutenção do sono, sob estreita colaboração da monoamina-oxidase (MAO).

3. Categorias e Fases:
a) REM: com movimentos oculares rápidos, também denominado onírico ou paradoxal, compreendendo cerca de 20 a 25% do tempo total de sono (25 a 30 minutos cada fase);
b) NREM: sem aqueles movimentos oculares, também denominado ortodoxo ou lento, abrangendo 75 a 80% do tempo de sono, subdividido em quatro estágios, de acordo com a “profundidade”.
A fase REM diminui com o progredir da idade, correspondendo a 30% numa criança e 20% num idoso, o mesmo ocorrendo com os estágios do sono profundo, cuja tendência é desaparecer.
O sono NREM subdivide-se nos estágios 1, 2, 3 e 4, progressivameente considerados mais profundos, os dois últimos são conhecidos como fase delta.

ESTÁGIOS DO SONO

Estágio 1: ao adormecer, o indivíduo passa da vigília ao estágio 1, transitório, antes sonolência que sono verdadeiro. Acordado nesse momento, a pessoa diria que estava apenas cochilando.
Podem ocorrer movimentos oculares lentos, alucinações e espasmos musculares nos membros. A pressão arterial cai bruscamente determinando um acordar sobressaltado e a referência de ter sonhado que estava caindo.
Estágio 2: ou de sono leve, há perda total da consciência, imobilidade ocular, diminuição das funções fisiológicas. A atividade elétrica é de baixa freqüência.
Estágio 3: delimita o sono profundo, não há movimentos oculares, as funções fisiológicas caem mais ainda. No EEC são ondas lentas.
Estágio 4: delimita o sono mais profundo, índices funcionais mínimos (PA, FC, FR, T E secreções) são registrados. Ondas delta tomando maior parte do traçado eletroencefalográfico.

Cerca de uma hora e meia depois de adormecerem, os indivíduos normais passaram por todas as fases do sono. Após esse período experimentam o sono REM, cujas características poligráficas são mais próximas da vigília.
No sono REM ocorre uma verdadeira reprogramação cerebral, com a consolidação da memória (retenção de fatos significativos e apagamento de não-significativos).

4. Perfil do sono:
Um adulto jovem e saudável apresenta perfil de sono com fases bastante regulares e previsíveis, com algumas variações quantitativas consideradas normais.
Inicia-se um período de sono, com rápida seqüência dos estágios 1,2, 3 e 4, que dura cerca de 30 a 50 minutos. Em seguida o ciclo é invertido. Voltam a ocorrer os estágios 3, 2 até que após 80 a 90 minutos do início do sono, instala-se a primeira fase REM geralmente curta. Estes ciclos se repetem de 4 a 5 vezes por noite, para um tempo total de 8 horas de sono.
À medida que o sono progride, os estágios 3 e 4 se reduzem, enquanto a fase REM vai predominando, de tal forma que ao final da noite, nos indivíduos normais, cerca de 50% do ciclo é representado por REM e estágio 2.

INSÔNIA
Considerado uma redução do número de horas de sono diário.
Acarretam alterações funcionais psíquicas e físicas.
Essas alterações são decorrentes de uma redução dos estágios 3 e 4 nos primeiros ciclos, sem comprometimento da fase REM.
A insônia pode ser:
• Reativa ou situacional: fenômeno transitório decorrente de tensões emocionais como luto, dificuldades monetárias ou conjugais, antecipação de grandes mudanças na vida, provas escolares, ambiente estranho, exigência profissional, etc.;
• Por doenças orgânicas diversas: processos asmáticos e cardíacos, neuropatias, hipertireoidismo, etc.
• Por tóxicos: drogas, medicamentos, estimulantes naturais, processos infecciosos agudos, etc.
• Por distúrbios Psiquiátricos: neuroses, psicoses, encefalopatias, epilepsias, demências, etc.

Modalidades:
De acordo com o horário de aparecimento, a insônia pode ser:
• Inicial: é a queixa mais freqüente. A dificuldade se restringe em adormecer, porém uma vez conseguido, quase sempre o sono passa a ter características normais.
• Intermediária: costuma se manifestar durante as fases REM. Acorda várias vezes durante a noite.
• Terminal: geralmente se manifesta nos últimos dois ciclos do sono. Acorda antes de amanhecer.
• Mista: associação de todos os tipos anteriores.

Intensidade:
• Moderada:
a) levar cerca de 1 hora para adormecer;
b) área total de sono com menos de 6 horas;
c) despertar duas vezes durante a noite;
d) mais de um mês de duração do sintoma;
e) não resolvida com doses baixa de hipnóticos.
• Resistente:
a) geralmente mais de 2 horas para adormecer;
b) menos de 4 horas na duração total do sono;
c) mais de três despertares durante a noite;
d) não resolvida com doses alta de hipnóticos, necessitando combinação de drogas para conseguir dormir.

SONHOS

A experiência cotidiana e universal de sonhar durante o sono continua intrigando os especialistas. Por que, afinal, sonhamos? Ainda não se sabe ao certo.

A fisiologia do sonho é conhecida há muito tempo. Quando dormimos sem sonhar o cérebro está em repouso, com atividade reduzida e baixa sensibilidade aos estímulos externos. Ao iniciar-se um ciclo de sonhos, o que ocorre cerca de cinco vezes por noite, esse panorama muda. O tronco cerebral, área primitiva na base do cérebro que tem, entre suas funções, a regulagem do ciclo sono-vigília, começa a enviar estímulos a outras duas áreas do cérebro. Uma delas é o córtex visual, onde são geradas imagens; a outra é o cérebro límbico, responsável pelas emoções.

Quando o córtex visual gera imagens, os olhos, em resposta, se movem rapidamente, apesar de continuarem fechados. Esse fenômeno é conhecido como REM (sigla da expressão em inglês Rapid Eye Movement), razão pela qual o sono com sonhos é conhecido tecnicamente como sono REM. O conteúdo emocional dos sonhos, por outro lado, se deve à atuação do cérebro límbico, em particular à do corpo amigdalóide.

Também é um fato estabelecido que o sonho é uma necessidade. De acordo com Steven Pliszka, se os ciclos de sono REM de uma pessoa forem todos interrompidos em uma determinada noite e ela for, dessa forma, impedida de sonhar, ela acordará com disposição normal na manhã seguinte; no entanto, terá o dobro de sono REM na noite subseqüente, como que para compensar o déficit.

Entre os estudiosos existem duas hipóteses predominantes, não excludentes, a respeito do motivo pelo qual sonhamos: o fortalecimento da memória e o processamento do que foi vivenciado em vigília. Não se sabe se essas são as únicas funções do sonhar, nem mesmo de que forma, exatamente, ele as desempenha.

É possível que os movimentos oculares provocados pelas imagens oníricas tenham uma dupla função. Por um lado, a rápida sucessão de imagens visuais contribuiria para o relaxamento. Por outro, os movimentos em si ajudariam a estabelecer ou restabelecer conexões entre os neurônios.

Para as crianças, que estão conhecendo o mundo, o universo onírico é povoado de desejos e fantasias. Para os adultos, porém, há algo mais do que a realização imaginária de desejos. Ao sonhar, o adulto também busca inconscientemente recursos e “saídas” para as situações de vida que o atingiram. Não é outra a razão pela qual os sonhos são um cenário privilegiado para representar os conflitos interiores. A análise e interpretação dos sonhos permite, por isso, conhecer esses conflitos, como o demonstrou Sigmund Freud há mais de cem anos.

OBSERVAÇÕES:
• A maioria dos sonhos duram de 5 a 20 minutos;
• As pessoas não sonham somente em preto e branco como se pensavam;
• Embora talvez não se lembrem, todos sonham várias vezes por noite. De fato, durante uma vida normal, passamos aproximadamente 6 anos sonhando;
• As pessoas que são cegas de nascença tem sonhos que são formados por seus outros sentidos (tato, olfato, etc);
• Quando as pessoas estão roncando, elas não estão sonhando.

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16 comentários:

  1. Muito bom o material.. Bem completo.. :)

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  2. bem fixe este material.

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  3. este material deveria entrar para os GUINES Book,ta muito bom.

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    1. Fruto de uma excelente professora, complemento.

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  4. Muito bom! Completíssimo!!!!

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  5. PARABÉNS PELA INICIATIVA DE AJUDAR O PRÓXIMO COM CONHECIMENTO.
    EXCELENTE MATERIAL, ME AJUDOU MUITO!

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  6. Parabéns, seu material me ajudou bastante em um trabalho da facul.

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  7. O material está muito didático e preciso nas suas considerações e informações. Todavia, eu sugiro que sejam acrescentadas numa seção às fontes consultadas na forma de referências.

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    1. Bom dia. Realmente seria interessante, como pode perceber em outros artigos aqui do blog faço isso. Contudo neste não foi possível, pois como percebe ao início do texto menciono que foi uma apostila desenvolvida por uma professora na época da faculdade, ela utilizava este material para ensinar e acabava não servindo como fonte de pesquisa para nós. Mesmo assim decidi compartilhar pelo enorme valor de conhecimento.

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  8. Material completo e bastante complexo? Maravilha!!!

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  9. Material completo e bastante complexo? Maravilha!!!

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  10. Muitoooooooo bom ! Obrigada por compartilhar.

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